Imagine acordar num ambiente todo decorado com elementos biofílicos, itens feitos à mão e superfícies naturais que resgatam sensações primitivas de contato com o barro, com a madeira, fibras, algodão, pedras e tantas outras texturas. Aromas, sons, tramas, objetos e imperfeições ocasionadas pelo tempo que nos trazem memórias afetivas e nos fazem desconectar do mundo moderno e nos reconectar com a natureza, com o passado e o presente.

Este parece o ambiente ideal para desacelerar. Para tomar um café da manhã longe do smartphone, um banho longo, apreciar o momento e então abrir-se ao mundo lá fora… sem pressa. Para muitos, essa é a vida perfeita, uma utopia; para outros, uma espécie de retreat, ótimo como um refúgio de férias ou para o fim de semana; há alguns, ainda, que se desesperam só em pensar num mundo com pouca tecnologia, sentem-se entediados, como se o relógio andasse em câmera lenta.

Por isso, a Impress, especialista no desenvolvimento e produção de superfícies decorativas para a indústria de painéis, móveis e pisos, nos convida a um mergulho profundo em como a percepção do tempo influencia nas nossas escolhas e nos materiais que nos rodeiam. E é essa a essência proposta na nova campanha global da marca – Uchronia – que traz a utopia do tempo para o palco de nossas vidas, incluindo, claro, nossa relação com o morar. O novo conceito do Grupo Impress é baseado em seis macrotendências: Emergente Utopias, Humbly Crafted, Sensory Healing, Joyful Home, Off the Grid e Out of this World, que foram lançadas no mercado brasileiro, durante a 10ª edição da Semana de Design de São Paulo.

Conheça as duas últimas:

Off the Grid

Essa tendencia reflete a necessidade de busca pela desconexão digital e pela reconexão com a natureza e com o nosso eu interior. Como consequência, fomos em busca da simplicidade, da calma e da pureza que são a base desse movimento que nos conecta intimamente com as paisagens naturais e com o tempo desacelerado. Nesse processo, nos reencontramos com materialidades, técnicas e a hábitos esquecidos. Existe não só um trabalho mental, emocional ou sensorial, mas também uma atenção ao corpo. Aos exercícios ao ar livre, o contato com o ar puro, o olhar buscando um horizonte, as texturas, as cores das paisagens e o contato com materiais como a madeira, a pedra, o solo, tornaram-se essenciais ao cotidiano.

Os interiores assumem um toque rudimentar com o resgate de hábitos e tradições, como a busca por ferramentas e objetos como a tábua de madeira, a colher de pau ou artigos que servem a propósitos básicos como cultivar a própria horta. Tudo isso conectado a uma arquitetura e a uma materialidade mais bruta e rica do ponto de vista tátil. Do toque da superfície da madeira, da percepção da pátina, da passagem do tempo. Todos esses aspectos são resgatados nesse predomínio dos materiais de inspiração do universo natural. Nessa arquitetura de refúgio, os tons se tornam mais sóbrios, refinados e escurecidos, justamente para favorecer esse diálogo entre o fazer e o reflexo da beleza da simplicidade.

Out of this World

Essa é uma tendencia ligada diretamente à rápida evolução das ferramentas digitais, das tecnologias de modelagem e representação 3D. Aqui, existe um aprimoramento dos softwares com o entendimento ou uma funcionalidade muito mais intuitiva, muito mais orgânica. Ou seja, essas ferramentas deixam de trabalhar com códigos muito complicados e atalhos muito rígidos e passam a ter um fluxo que expande as nossas possibilidades criativas. À medida que os designers celebram a arte de renderizar, o design de superfície altamente tátil ganha destaque. Se no começo dessas tecnologias a busca pelo realismo, pela perfeição da luz, da sombra, da reprodução de texturas e da natureza era o objetivo para trazer a imersão na imagem no projeto,  agora o movimento é o inverso. Busca-se o escapismo oferecido pelo surreal, onde temos uma nova conexão sensorial e emocional, onde o mundo imaterial ganha tons rosa esverdeados e os tom de roxo e os metalizados ganham uma saturação extra. Cores em camadas indulgentes se espalham pelos espaços abertos, refletidas em superfícies altamente polidas e infundindo ambientes com um brilho etéreo.

No Out of this World, os interiores quebram os limites entre o real e o fantástico. Superfícies reflexivas, quartzo e mármore contribuem para despertar a conexão tátil. Além disso, efeitos de luzes, sons e aromas se integram à materialidade para trazer essa dissociação do mundo real com esse aguçamento dos sentidos. A percepção da materialidade também se torna mais intensa. Por isso, as superfícies, as padronagens 3D, o brilho, o realce dos veios da madeira e das pedras  ganham força e se tornam referências dessa tendencia.