As mudanças pelas quais o mundo vem passando também revelam novas faces (e fases!) de nossas casas, que agora se tornam, além de um refúgio, espaços de trabalho, lazer, exercícios, convivência e o que mais for necessário. A multifuncionalidade, que já vinha sendo palavra-chave em muitos projetos, ganha um significado ainda mais amplo em tempos de isolamento social, acelerando tendências e soluções também no universo do design.

Com nossas residências tendo de estar preparadas para tantas atividades é natural manifestarmos o desejo, com boas doses de nostalgia, de vivermos em casas espaçosas e com quintais. Embora pareça ser uma alternativa ideal, sabemos, no entanto, que essa não é uma realidade possível na maior parte dos centros urbanos. E é aí que o design aparece como um serviço essencial para o futuro: Como transformar espaços pequenos em ambientes seguros e multifuncionais; trazendo, ainda, a sensação de áreas externas para dentro de apartamentos, muitos deles sem sequer uma sacada?

Novas dinâmicas do viver e do morar

Bem, se há duas recomendações básicas neste momento, essas são: Fique em casa e lave bem as mãos! Essa preocupação com a higiene pessoal e a assepsia dos ambientes reafirma a necessidade de adotarmos novos hábitos, como o de tirar os sapatos e nos livrarmos das camadas superiores de roupas, tais quais casacos, antes de adentrarmos nossos lares.

Como resposta a essa tendência comportamental, deverá haver um retorno do conceito de hall de entrada ou antessala. Embora a maior parte das casas e apartamentos contemporâneos não contem com este cômodo extra, entende-se que haverá uma reorganização do espaço, com móveis como cabideiros, sapateiras e bancos dispostos na entrada. Outra mudança se dará na disposição de pias, que poderão sair de dentro dos espaços privativos dos banheiros, deixando-as mais acessíveis. Superfícies de fácil limpeza, como as melamínicas, também tornam-se as preferidas para revestir móveis, pisos e paredes.

Mesmo espaço, novos usos

E por falar na reorganização dos espaços, não é de hoje que arrastando daqui e puxando dali, nossa sala pode se tornar uma academia; um laptop e uma luminária, e a mesa de jantar se transforma numa estação de trabalho. A diferença primordial para entendermos esses novos tempos, no entanto, é que agora, o que antes era uma exceção tornou-se a regra, com muitas empresas e até mesmo universidades devendo adotar de vez as atividades remotas como parte de suas filosofias e estratégias pós-quarentena.

Nessa nova realidade, os moradores querem alternativas definitivas, funcionais e esteticamente agradáveis, que conversem com a decoração da casa. Isso exige uma readaptação da forma de se pensar o design de móveis para escritórios, bem como de itens como de ginástica e meditação, por exemplo. É importante lembrar, ainda, que há tempos já estamos falando sobre a tendência da decoração contar a história da vida dos moradores e, claro, esse período também deixará sua marca.

Cuidado e lugar de afeto

As plantas, já tão faladas na decoração, muito além de trazerem cor e vida aos ambientes, desenvolvem um papel fundamental nesse momento, auxiliando na purificação do ar. Elas também ajudam a criar essa ideia de “extensão do mundo exterior” e trazem aconchego aos espaços, que devem ser cada vez mais acolhedores, agora que passamos a maior parte do nosso tempo dentro de casa. Além das plantas decorativas, cultivar nosso próprio alimento em hortas verticais e pequenos vasos é não só uma ótima terapia, como também traz mais liberdade e segurança à nossa rotina diária, principalmente durante o período de isolamento.

Hands off! 

Por fim, a tecnologia, claro, deverá ser nossa principal aliada nessas transformações. Já pensou em um elevador controlado por comando de voz, em que não temos de tocar em nada? Ou mesmo uma TV capaz de sugerir uma programação personalizada para relaxarmos após o trabalho; iluminação e ar-condicionado que se ajustem ao gosto ou necessidade do morador; uma fechadura que pode ser liberada remotamente; um vaso que demonstra emoções, indicando a saúde das plantas?

Das soluções mais simples às mais surpreendentes, a “Internet das Coisas” promete uma verdadeira revolução para o futuro das nossas casas e das nossas vidas, tornando o conceito de “smart home” cada vez mais abrangente, acessível e atual. Com muitos desses produtos e serviços já sendo ofertados no mercado, estima-se que a chegada do 5G e as novas demandas geradas neste período deverão também acelerar o desenvolvimento de novas soluções, especialmente na área da saúde e do morar – como já citamos por aqui.