Após duas altas mensais consecutivas, a produção de móveis no Brasil apresentou uma queda de 8% em volume no mês de setembro na comparação com agosto de 2021, com um total de 34,1 milhões de peças produzidas, de acordo com o relatório mensal “Conjuntura de Móveis”, produzido pelo IEMI – Inteligência de Mercado – para a ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) e divulgado no mês de novembro. No entanto, segundo o levantamento, o acumulado do ano continua positivo, com +6,5% em relação ao mesmo período no ano passado. No que diz respeito ao varejo, assim como na indústria, os números continuam positivos com +4,7% em volume e +12,7% em receita. Em valores, a receita da indústria moveleira alcançou o montante de R$ 8,2 bilhões.

De olho nos números positivos e com foco na expansão dos negócios, a Impress Decor Brasil, referência no desenvolvimento e produção de superfícies decorativas para a indústria de painéis, móveis e pisos, antecipou a implantação da nova linha de impregnação, que estava prevista para entrar em operação no próximo ano. Além disso, a empresa recebeu a aprovação para a implantação da quarta linha de impressão de papéis decorativos no Brasil, que ocorrerá em 2022.

Esses investimentos refletem a necessidade da indústria moveleira, que espera manter o ritmo de crescimento observado nos últimos dois anos. De acordo com Adilson Pavoni, supervisor de Pesquisa e Inovação da Todeschini, o mercado está aguardando a chegada de 2022 com bastante otimismo. “A nossa previsão é que tenhamos vendas superiores em relação a 2021 ao longo do próximo ano. A estimativa é vender 5% a mais”, afirma. “Apesar de observarmos que as pessoas estejam pensando em destinar recursos para outras atividades, mais ligadas ao lazer do que construção ou decoração, ainda assim projetamos vender mais”, ressalta Pavoni.

Opinião semelhante é compartilhada por Anne Oelke, sócia da ID Design e criadora do projeto Marcenaria Fora da Caixa. “Acredito que a maior parte das pessoas já adequou as suas casas e postos de trabalho, o que pode gerar uma retração na demanda de mobiliários voltados ao home office, por exemplo, e um aumento nos investimentos ligados ao turismo”, reflete. “Nos anos anteriores, muitas pessoas usaram o valor reservado para as férias na reforma da casa. E, com uma maior flexibilização para as viagens, as pessoas provavelmente retomarão os projetos pré- pandêmicos”, diz. “Porém, certamente ainda haverá venda de móveis de forma geral dedicados aos demais espaços da casa como ocorria antes de 2020”, conclui Anne.

“Apesar da possível acomodação do setor, o mercado imobiliário continua aquecido o que, consequentemente, incrementa o movimento no setor de móveis e marcenaria”, destaca Giuliana Bellina, gerente comercial da Rede SIM. “Além disso, 2022 será marcado pelo retorno das feiras presenciais e existe uma forte expectativa em relação a esses eventos, especialmente quanto aos lançamentos que os fabricantes de painéis trazem, alinhados com tendências mundiais de consumo”, completa.

Na esteira dos lançamentos, a Todeschini, trará novidades para 2022. “Estamos prevendo o lançamento de duas coleções no ano que vem”, revela Pavoni. “Uma, possivelmente, no final do mês de abril e outra no segundo semestre”, afirma o executivo. “No primeiro pacote faremos um incremento de BP’s unicolores e 1 madeirado, além de portas de passagem. Já para o 2º semestre trabalharemos mais focados em sistemas e acessórios”, explica.

De acordo com representantes da indústria e da marcenaria, móveis funcionais e que possam ser usados em ambientes compactos são uma grande tendência para próximo ano, principalmente, porque as pessoas têm optado por viver lugares menores, procurando mais praticidade. Além disso, mobiliários que prezam pelo conforto também seguirão em alta. “O conceito de “multifuncionalidade” veio para ficar, seja nos ambientes residenciais ou corporativos, trazendo uma nova tendência e padrão de consumo nos projetos”, comenta Giuliana Bellina, da Rede SIM.

“O setor vem se transformando ao longo do tempo e a Rede SIM vem acompanhando essa evolução. Podemos esperar gradativamente a introdução da indústria 4.0, além de lojas que cada vez falam mais com seus consumidores, ajudando os profissionais no andamento dos seus projetos. A perspectiva é de que muitas coisas boas estão por vir”, finaliza Giuliana.