A ancestralidade como potência da criatividade

Recuperar a história de antigas civilizações e de nossos ancestrais não é tarefa fácil. Ancestralidade se trata de características relativas e herdadas de nossos antepassados, trazemos em nossa bagagem muitas coisas de maneira inconsciente. As heranças ancestrais estão presentes em nossa vida, muito além de memórias afetivas, as lembranças no álbum de família.

Os povos originários, ao longo da história, deixaram um importante legado cultural à população brasileira. Além dos costumes e das histórias que foram passados de geração a geração, há influências da cultura indígena até no idioma que falamos.

Ancestralidade e cultura são questões preciosas que precisam ser levadas a sério e vivenciadas com respeito quando determinados grupos se apropriam de modos e costumes, sem fazer a devida reverência aos que os antecederam naquele modo.

Cristiane Martins. Foto Nay Menezes

A designer e arqueóloga Cristiane Martins é uma dessas pessoas que contribuem para o enriquecimento da nossa memória, através da sua marca de joias e acessórios Amazônia Ancestral (no instagram @amazoniaancestral). Em sua jornada de pesquisa resgatando peças de quebra-cabeças que revelam a materialidade genuína, técnicas manuais ancestrais, estéticas, hábitos, costumes e formas de organização de sociedades pré-coloniais, ela encontrou uma via de autoconhecimento e crescimento pessoal, escavando suas próprias camadas artísticas através da conexão com aqueles que trilharam sobre essas terras antes de nós.

“Eu sou uma designer de joias (cuja matéria-prima de base é a madeira de reciclagem), que busca comunicar a estética da floresta e beleza feminina através das minhas criações. Hoje, graças a minha formação acadêmica como arqueóloga reconheço uma bagagem muito forte que me diferencia no mercado, alimenta meus processos criativos e me dá uma base substanciada para falar de ancestralidade e de aproveitamento de recursos da floresta. Minhas inspirações vêm de um passeio mata adentro, até um tempo antigo. Volto de lá trazendo elementos, texturas, cores, formas e estética orgânica que o meu ‘instinto arqueológico’ pode farejar. Percebo que não fiz uma transição de carreira, mas sim uma adição de carreira, e isso é muito legal”, conta a arqueóloga e designer.

Cristiane Martins_Chapéu Escultórico Casca. Foto Fagner Damasceno

Em sua jornada para materializar a complexidade da cultura amazônica, Cristiane aprendeu a marchetaria – técnica de ornamentar superfícies planas, principalmente, a madeira – em Rio Branco, no Acre, onde viveu por sete anos. Sua marca nasceu lá em 2018, época em que viveu um processo muito intenso de autoconhecimento durante suas imersões em Círculos de Mulheres e em rituais com as medicinas tradicionais dos povos indígenas. Essas vivências indicaram outras direções e olhares para seus estudos sobre a ancestralidade amazônica, e ela investiu na magia que envolve a arte manual de adornar com os elementos da natureza.

Cristiane Martins_Série Lanças de Oxum. Foto Fabíola Tuma

A Impress Decor sabe da importância de resgatar a identidade, as histórias milenares e misturas únicas dos povos originários e sua riqueza cultural. A América do Sul, território que carrega traços e cores de povos e cenários de singulares complexidades e camadas contextuais profundas foi a inspiração para a Coleção Arredores.

Despretensiosa e genuinamente detalhada, a coleção ressalta a importância do cotidiano, que traz à memória objetos, lugares, patrimônios e a cultura da América do Sul identificada em diferentes sotaques e representações.

Padrão CUBE

Assim como o trabalho de Cristiane com a marchetaria, Arredores conta com o padrão Cube, onde a naturalidade da fibra de bananeira é trabalhada em formatos geométricos que criam um aspecto de marchetaria contemporânea, e oferece um toque de arte aos ambientes.

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