A CASACOR São Paulo 2026 está em seus últimos dias no Parque da Água Branca, em São Paulo. Em sua 39ª edição, a mostra ocupa, pelo segundo ano consecutivo, um casarão histórico cercado de jardins. Assim como as outras praças, a mostra parte do tema nacional “Mente e Coração”, que pensa a casa como espaço de reconexão e afeto diante de um cotidiano acelerado. Foi nesse território que a coordenadora de marketing da Impress, Gianna Stabach, e a designer Adelita Lenartowski percorreram os ambientes, e a leitura que trouxeram ajuda a entender para onde o morar contemporâneo está caminhando.
A mudança mais evidente estava na cor. Depois de anos de predomínio dos neutros, a edição apostou em uma paleta densa e envolvente, que remetia a outro tempo. “O que mais me chamou atenção foi a presença de cores mais profundas, como marsala, berinjela, verdes escuros e marrons, que trazem essa nostalgia dos anos 60 e 70 não só nas cores mas na construção da arquitetura dos espaços”, descreve Gianna. Esses tons não apareciam de forma tímida, e sim ocupando paredes e mobiliário, quase sempre em diálogo com uma madeira mais escura e aquecida, presente na maior parte dos ambientes.


A madeira, aliás, foi o material que melhor expressou essa atmosfera. Em vez de se restringir aos móveis, ela avançou sobre grandes superfícies e revestiu ambientes inteiros, das paredes aos tetos, com uma presença imponente que organizava o espaço. Não por acaso, alguns dos projetos mais celebrados giravam justamente em torno dela. “Um dos ambientes de que mais gostei tinha muitos móveis modernistas e bastante uso da madeira, e chamou atenção como trabalharam os tons mais escuros em contraste com as cores claras”, conta Adelita.


Esse apreço pelo material se estendeu ao trabalho manual, que ganhou lugar de destaque na edição. “O artesanal teve muito destaque, com a valorização do feito à mão, da marcenaria brasileira, trazendo mais identidade e criando valor para os ambientes e para o mobiliário”, observa Gianna. É um vocabulário que privilegia o natural e o tátil, coerente com uma mostra que fala em desacelerar, e que reaparecia em materiais como a palhinha, presente em vários projetos.


A vontade de revisitar o passado também se traduzia em referências bem específicas. A inspiração vintage partia dos anos 70 e alcançava os anos 80, com aparições mais discretas dos anos 90, como em uma cozinha verde que remetia às antigas bancadas de fórmica. No lugar da contenção dos últimos anos, os ambientes assumiram um maximalismo mais quente, em que estampas gráficas conviviam com florais e texturas de origens distintas se sobrepunham sem receio. Até o metal entrava nessa lógica, sobretudo pelos espelhos, muitos deles oxidados para simular a peça antiga. Para além de uma citação nostálgica, essas escolhas apontavam para um morar disposto a carregar história.

Parte dessa boa impressão vinha do próprio endereço. O casarão cercado de mata aproximou a arquitetura do lugar do design de interiores, o que rendeu à edição paulista o posto de uma das mais bonitas na avaliação da equipe. “Foi uma das CASACOR mais bonitas que já visitei, porque o casarão fica no meio da natureza e a arquitetura do lugar conversa muito bem com o design de interiores e com o paisagismo”, resume Adelita. No balanço final, a mostra confirma o que já vinha sendo desenhado em outras praças. A casa contemporânea está mais colorida e mais afetiva, disposta a olhar para trás em sintonia com um tema que fala de mente e de coração.

