João Leon Martinez (1959-2026) foi peça fundamental na consolidação da Impress no Brasil. Ao longo de mais de duas décadas, ao lado de diversos colaboradores, ajudou a transformar uma operação recém-chegada em uma das principais referências do mercado moveleiro nacional, com um papel marcante no fortalecimento das relações comerciais da empresa. Sua contribuição também aparece na formação de profissionais e na abertura de caminho para novos materiais e processos, parte de uma forma de trabalhar que segue presente na empresa. As lembranças de quem esteve ao seu lado ajudam a entender o tamanho desse legado, construído de maneira coletiva.
Quando chegou ao Brasil, em 2000, a então Masa Decor apostava em um mercado que ainda dava seus primeiros passos, com o MDF começando a se firmar e a fabricação de papel decorativo dependendo quase inteiramente de importações. João participou de perto da implantação da fábrica em Araucária, no Paraná, e foi um dos nomes à frente do esforço de nacionalizar uma produção que até então vinha de fora. Foi sobretudo na área comercial, nos primeiros anos, que deixou sua marca mais forte, aproximando a empresa de clientes e parceiros. Ele costumava lembrar daquele período com entusiasmo: “Quando a Masa Decor começou a operar aqui em 2000, a categoria estava em plena evolução. O segmento de MDF ainda estava começando, e foi justamente nesse momento que ela chegou para dar um novo impulso à indústria.”
Naquele período, a empresa teve papel decisivo na chegada de novos materiais ao mercado moveleiro nacional, e foi nesse momento que o BP, papel melamínico de baixa pressão, se tornou acessível para a indústria brasileira. Como ele mesmo resumia, “fomos os responsáveis por trazer o BP de uma forma mais acessível. Isso não apenas inovou o design, mas também ajudou a indústria de móveis nacional a se destacar.”

O que mais marca quem conviveu com ele, está, além das decisões de negócio, na forma como liderava, sempre com as pessoas no centro. João acreditava que formar profissionais era um investimento que daria retorno com o tempo, e fazia questão de repetir isso: “A Impress sempre apoiou colaboradores na sua formação, por meio de incentivos à realização de cursos e especializações, porque estávamos plantando para colher depois. Há funcionários com mais de 20 anos de casa porque se sentem bem em trabalhar aqui.” Não por acaso, boa parte das lideranças atuais da empresa começou a carreira ao seu lado.
Valdir Santos, coordenador de desenvolvimento, acompanhou João desde os anos 2000 e viu a Impress crescer de uma operação iniciante até a referência que é hoje. Para ele, essa caminhada esteve sempre ligada à confiança que João depositava na equipe: “Profissionalmente, era um visionário que confiava nas pessoas que trabalhavam com ele. Meu crescimento profissional está totalmente ligado às oportunidades que me foram dadas por ele.” Depois de mais de duas décadas de convivência, o que fica para ele vai além do trabalho: “Fiz um amigo muito especial, uma pessoa humana que, mesmo atuando no meio profissional, tinha um coração enorme.”
Carolina Lacerda, que conheceu João na Masa Decor em 2002 e trabalhou com ele por quase 18 anos, guarda uma lembrança parecida. Ela o descreve como um líder capaz de enxergar o futuro antes dos outros e de comunicar essa visão de um jeito que aproximava as pessoas: “Me ensinou que confiança é a base de qualquer relação duradoura, e que metas ousadas não são excesso, são necessidade. Acreditava nas pessoas, no design e na criação de valor entre parceiros e clientes.” Para ela, essa forma de pensar mudou não apenas a Impress, mas o próprio mercado latino-americano.
Silvia Andrade, que conviveu com João entre 2007 e 2021 e hoje ocupa uma posição de alta liderança na Lami Brasil, atribui a ele parte importante da sua trajetória. Ela lembra das provocações inteligentes e do olhar sempre atento ao desenvolvimento da equipe, com um cuidado que muitas vezes beirava o paternal, e destaca como ele estava à frente do seu tempo ao reconhecer o potencial das mulheres no ambiente corporativo. “Costumava dizer que, ao designar uma demanda a uma de suas gerentes, sabia que o resultado seria entregue com consistência e qualidade”, conta.
Jessica Hori, gerente de produto e marketing da Impress, conheceu João ainda no início da carreira, quando atuava no polo moveleiro de Arapongas e participava de projetos exclusivos ao lado de moveleiros e impressores. Mesmo antes de trabalhar na empresa, já reconhecia nele uma referência constante no setor, presente nos eventos e nas relações que a Impress mantinha na região. Esse contato se aprofundou quando ela passou a atuar como cliente direta, em reuniões frequentes com João, e o que mais lhe marcou foi a forma como ele entendia o relacionamento comercial. “Ele tinha o cuidado característico de um bom profissional de comercial, de compreender as dificuldades do cliente e oferecer soluções que não se restringiam ao produto, mas envolviam também o serviço”, lembra. Para ela, esse cuidado em antecipar o que o cliente precisava, muitas vezes antes mesmo de o próprio cliente perceber, é especialmente valioso no universo do design, e foi algo que ele ensinou a equipe inteira a desenvolver. Não por acaso, ela associa a ele a própria identidade da empresa: “Esse jeito de trabalhar, o jeito Impress de que tanto falamos, tem muito dele.”
Carolina Dorta, da área comercial, viveu de perto esse aprendizado ao longo de dez anos de convivência, que começaram quando o próprio João a entrevistou no início da sua carreira. Ela guarda das conversas com ele lições que foram além do mercado: “Foram anos de muito aprendizado com ele sobre o mercado, sobre liderança, ouvir as pessoas e tomar decisões, até mesmo as mais difíceis.” Para Carolina, o que ele deixa não fica restrito à empresa: “O legado que ele nos deixa é muito forte e seguirá conosco para sempre, dentro e fora da Impress Decor.”
Mesmo depois de deixar a direção, em 2022, João permaneceu por perto como consultor e acompanhou com satisfação o rumo que a empresa seguiu. Quem assumiu a direção-geral em 2023, Marciel Nogaroto, faz questão de reconhecer o tamanho dessa herança. “João foi muito mais do que um gestor para a Impress. Foi ele quem construiu as bases sobre as quais seguimos trabalhando até hoje e quem provou que era possível transformar uma operação iniciante em uma referência para o mercado moveleiro. Mas o que levo comigo vai além disso. Ele me ensinou a ouvir antes de decidir e mostrou, na prática, que uma empresa se constrói com as pessoas que estão nela. Tive o privilégio de aprender ao seu lado o que significa liderar de perto, e é com esse cuidado que procuro dar continuidade ao que ele começou”, afirma.
João Leon Martinez deixa uma história que se confunde com a da própria Impress no Brasil. O que ele construiu segue vivo no trabalho de quem aprendeu ao seu lado.
